Capítulo I - De protestante a Ortodoxo > F) O papel dos professores...

 Minhas professoras




Graças a ele, como disse,  pude situar-me a frente dos demais colegas de sala e tornar-me uma espécie de auxiliar ou secretário dos professores de História e Geografia, em especial das Mestras Regina Marta  e Milena Gianonni, as quais rendo preito de eterna gratidão já pela competência invulgar, já pela amabilidade e polidez com que ministravam suas aulas e me atendiam.

Quando tornei-me quinto anista já eram elas umas senhorinhas estando prestes a aposentarem-se. Calculo portanto que tenham iniciado suas respectivas carreiras na década de 50 ou na seguinte. Correspondiam ambas aquele tipo de professorinhas que Maluf classificaria como bem casadas, quiçá esposas de juízes, médicos, arquitetos, etc - Muito bem vestidas, perfumadas, polidas, inteligentes, muito bem informadas...

Naquele tempo - meados dos anos 80 - a maior parte dos estudantes procedia não apenas de famílias bem estruturadas como de famílias economicamente estáveis. Era um ensino mais ou menos seleto e por isso predominavam os bons modos. A 'educação' era dada em casa e dela trazida e a disciplina imaculada. Até a oitava série jamais ouvi qualquer colega responder ao mestre em voz alta ou insulta-lo. Mesmo quando atingi o ensino médio, no final daquela década, e passei a outra escola, prevalecia um ambiente favorável aos estudos. Cerca de 1993 foi que as coisas começaram a mudar sensivelmente.

No entanto, como disse, não era aquela escola - Pública alias porque a Escola particular era rara. - Alias eu ia ser matriculado numa dessas escolas, um tanto distante, o que não foi aceito por minha mãe, a qual após ter sido informada sobre um terrível acidente recusou-se a permitir que fossemos levados e trazidos em 'perua'. De modo que fui matriculado em Escola pública, alias numa excelente escola pública. No entanto, como disse, entrei já 'escolado' nela.

A meu velho pai, portanto, devo tudo quanto sou, inclusive a felicidade de ter adotado o cultivo da Filosofia e por fim de ter encontrado e abraçado a fé Ortodoxa, prístina expressão do Cristianismo Histórico.

De fato foi ele que predispôs-me a tais ascensões por ter incutido em minha alma infantil o gosto pelo saber, pré requisito essencial a todo e qualquer progresso ulterior, seja profano ou religioso. E é esse amor intenso pelo conhecimento que me tem servido, até o presente dia, como lenitivo em meio as agruras da existência, mitigado os dissabores, serenado as inquietudes e proporcionado incontáveis momentos de alegria.

Na observação da vida, da natureza e dos fenômenos foi que encontrei o contentamento diário... Na Biblioteca um meio de conversar com os que já deixaram esta vida sem precisar evoca-los... No Trabalho quotidiano a sanidade mental... No sono tranquilo e sereno um repositório de energias.

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