Capítulo I - De protestante a Ortodoxo> H) A trajetória de minha avó materna.
Pelo lado materno meus ancestrais eram de origem portuguesa e espanhola, misturados em parte com a gente da terra (ou seja indígenas de Ubatuba - A aldeia visitada por Hans Staden). Da parte dos ancestrais portugueses minha bisavó recebeu aquele tipo de 'catolicismo' ou romanismo popular e folclórico, o qual resumia-se com assistir os principais atos do culto: Missa, adoração do santíssimo, ladainhas, Te Deum, etc oficiados na vetusta Igreja do Valongo, em Santos; santuário de antigas tradições, cujo aspecto no entanto, pouco me agrada. Minha bisavó era muito dada a tais cerimônias; embora pouco ou nada soubesse a respeito da doutrina ou da fé.
Assim sua fé - Como a de quase todo povo naquele tempo - era mais sentimental ou emotiva do que consciente...
A trajetória religiosa de minha avó materna
Minha avó D Leonor mostrou, desde menina, uma forte tendência para a prática religiosa.
Comungava todos os Domingos, confessava e jejuava; amiúde no santuário do Valongo. Até onde sei, durante numa dessas confissões tendo o padre ousado fazer-lhe algumas perguntas inconvenientes (Minha avó sempre tendeu ao puritanismo extremo) levou minha avó a agredi-lo com a sombrinha, dando-lhe umas boas bordoadas.
Foi o que costumamos classificar como escândalo e o quanto bastou para minha avó incompatibilizar-se com a igreja romana, cessar de frequentar o Valongo e afastar-se de suas práticas. Antes disto no entanto faz-se necessário registrar que a exemplo da maior parte dos parentes e das amigas, minha avó já havia tido contato com o espiritismo kardecista, após um de seus irmãos ter sido vitimado pela gripe espanhola. Creio que isto se deu pelos idos de 1913.
A bisavó no entanto continuou assistindo regularmente as missas e ofícios como era hábito seu.
Quanto a minha avó, sob os auspícios de uma amiga, não tardou a tornar-se frequentante assídua do espiritismo e, posteriormente, a atuar como médium, no 'Anjo da guarda' suponho. Isto pelos idos de 1920/22. Quando mamãe (1932) e meus tios (1922, 1926, 1930) vieram ao mundo, vovó já era fervorosa discípula de Kardec e fiel consumidora de beberragens homeopáticas.
Todavia, quando minha mãe contava com cerca de cinco anos de idade (1936) a avó (Aproximando-se dos quarenta anos.) teve um surto psicótico; tendo - Consequentemente - de ser conduzida a Itapira, hospitalizada e isolada. Ao que parece foi um típico caso de depressão pós parto agravado por 'intrigas familiares'... Disto resultou ter ficado ela completamente maluca e extremamente agressiva, ao menos quando surtava. E as perspectivas não eram nada boas.
Desde 1929 - Após a famosa crime econômica em virtude da qual perdera grande parte de seus bens (terras e imóveis) - a bisavó - Crendo ter sido desamparada pelos Santos da igreja romana (dos quais sempre fora devota) - a exemplo da filha, também cessou de prestigiar os atos do culto romano, sem no entanto envolver-se com o espiritismo ou com qualquer outro tipo de fé e tornando-se, como dizemos hoje, irreligiosa. E assim caminhavam as coisas...
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