Capítulo I - De protestante a Ortodoxo - C) O propósito.
Num momento crítico, em que o protestantismo se vai alastrando pelo Brasil e forjando um tipo peculiar de política que muito se assemelha a que um dia floresceu na velha Genebra de Calvino, buscamos informar o leitor curioso e benevolente sobre como, tendo nascido protestante, fundamentalista, fetichista e sectário fiz o trajeto oposto, chegando a adquirir um outro tipo de perspectiva ou pensamento. Tendo para tanto de romper, decididamente, com as tradições ancestrais (As 'Tradições protestantes' como dizia J B Bossuet.) ou com aquilo que me fora dado, ao nascer, pela cultura, a qual é como que uma segunda natureza.
Trata-se pois de minha história, a um tempo intelectual e a outro religiosa e ética, assim do roteiro espiritual que percorri, o qual avalio em termos de progresso ou evolução.
Afinal, como tantos outros bem poderia eu ter permanecido fiel a ideologia ancestral; fixo e paralisado como uma ostra sobre um pedregulho... Todavia como o aparelho sensório/cognitivo de parte dos humanos é tanto mais desenvolvido que o das ostras optei por fazer uso dele e assim por portar-me como autêntico 'homo sapiens', isto é, como alguém que procura informar-se, saber, conhecer, entender, analisar as evidências e pesar os argumentos - Ao invés de reproduzir automaticamente aquilo que me fora ensinado por pretendidas autoridades familiares ou religiosas. E por não conformar-me com o que pela natureza fora dado, tomei a via crítica...Tal tomada de consciência implicava submeter as ditas crenças - Que jamais me pareceram demasiado consistentes - a 'prova'... Fosse a prova daquela autoridade a que costumavam apelar insistentemente (O Evangelho) ou a prova da coerência interna (Racional).
Quando recordo esse momento só posso pensa-lo como um momento - De adesão ao pensamento crítico - como traumático e decisivo. Tendo em vista as rupturas a que me obrigaram. De fato eu bem poderia ter procedido como um E Gibbon, o qual após ter lido a "História das variações" de Bossuet, descrido do protestantismo e chegado aos umbrais do papismo, preferiu curvar-se face as exigências de seu despótico e fanático pai com o objetivo de reter-lhe a herança... No entanto sem atribuir maior valor a tais considerações (Materialistas) tomei o caminho oposto, o do afrontamento, e não me curvei.
Trata-se duma experiência bastante significativa para mim, a qual; por isto mesmo, desejo comunicar a tantos quantos porventura enfrentem a mesma situação...
Afinal somente quem nasceu protestante e criado foi numa seita bíblica sabe o quanto seus correligionários são opressores.
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